23 de novembro de 2010

ENTRAVES SAFRA

Circuito Tecnológico: Chuvas e nematoides são alvo

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado



Chuvas irregulares, nematóides e área da 2ª safra de milho indefinida foram os principais problemas encontrados pela equipe do 2º Circuito Tecnológico Aprosoja no Campo Safra 2010/2011, realizado entre os dias 18 e 29 de outubro de 2010, cujo balanço foi divulgado na quinta-feira (18.11).

Ao todo, 342 propriedades rurais foram percorridas entre as regiões leste, sul, norte, médio-norte e oeste de Mato Grosso em 18.765 quilômetros. Foram colhidas para análises 843 amostras de 500g de sementes. O plantio de OGM (transgênico) foi encontrado em 57,27% das áreas visitadas.

De acordo com o gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Luiz Nery Ribas, a principal surpresa encontrada foi o clima indefinido. “Todos estavam se preparando para plantar e não chovia. Isso prejudicou a 2ª safra de milho, que está indefinida. Não sabemos se conseguiremos colher soja em tempo hábil para plantar o milho. Outra questão foram os nematoides. Em 2009, 80% das propriedades que visitamos tinham a praga e este ano foi a mesma proporção”. O patamar de distância percorrida nesta edição por técnicos da Aprosoja foi de 18 mil hectares.

Nery comenta que está situação dos nematoides é preocupante. “Estamos buscando com entidades e pesquisadoras a realização de um mapeamento destes nematoides no Estado e no Brasil, para levarmos para a Embrapa e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em busca de soluções.

Segundo levantamento da Aprosoja-MT, os principais nematoides encontrados foram pratylenchus em 21,83% das áreas visitadas, galha em 7,86% e cisto em 18,77%. “Nematoide é uma praga/verme que atinge a raiz da planta e impede o desenvolvimento. O de cisto é o que vem apresentando novas raças. Ele vem a ser um ovo que se aloja na raiz. O de galha, que está aumentando, forma galhosna raiz e o pratylenchus, que começou a aparecer no Estado de duas safras para cá, ataca a raiz e faz com que ela apodreça e impeça o recebimento de água e nutrientes”, explica Nery.


Dados da Aprosoja-MT, mostram que em 24,46% das áreas visitadas possuem pratylenchus e cisto, 9,61% pratylenchus e galha, 3,93% galha e cisto e 13,54% os três tipos de nematoides.


Para o presidente da Aprosoja- MT, Glauber Silveira, estes diagnósticos realizados pelo Circuito Tecnológico são de suma importância pois é através deles que se vê a real situação das lavouras matogrossenses. “Podemos com ele ver a questão das pragas, do endividamento rural, passar recomendações aos produtores, entre outros fatores. Este é nosso segundo ano com o projeto e tem grande importância, pois aproxima a entidade e os produtores, além disso mostra os avanços tecnológicos em Mato Grosso e Brasil. Queremos a cada ano ampliar este projeto e aperfeiçoar as análises”.

DIMINUIÇÃO ÁREA

Segundo o gerente técnico da Aprosoja-MT, Luiz Nery Ribas, as propriedades rurais foram visitadas aleatoriamente. Nas visitas foram encontradas situações de lavouras sem plantio, começadas e paradas por conta do clima.

Nery comenta que 0,32% dos produtores de soja optaram por começar o plantio em novembro, mais precisamente entre os dias 16 e 30. “Tivemos casos de produtores, que por conta do clima decidiram não plantar a soja para plantar o algodão, cuja semeadura começa em dezembro.
Conforme Nery, a área de plantio da soja em Mato Grosso teve uma redução de 1,1% (100 mil hectares) este ano. “Essa redução está ligada a essa desistência do plantio de soja”, explica.

19 de junho de 2010

ARTIGO

Política e Seleção Brasileira

Viviane Petroli*

É época de Copa do Mundo e eleições. O País todo está mobilizado, no momento mais pelos jogos do que pela decisão de em quem votar, mas isso não vem ao caso no momento. A questão é o quanto a política brasileira tem se intrometido em nossa seleção.

Isso chamou a atenção de todos quando o técnico Dunga escalou os jogadores para a Copa do Mundo na África do Sul. Recebeu inúmeras críticas por parte dos brasileiros, porém inacreditável mesmo foram as duras críticas que personalidades da política brasileira jogaram encima daquele que tem a voz sobre a seleção do Brasil.

Só porque não convocou Neymar e Ganso, jogadores do Santos, Dunga foi malhado por Lula, Dilma e companhia limitada. Oras bolas, quem faz a seleção é o técnico. A escolha é dele. Se ele preferiu escolher jogadores mais experientes o problema é dele, sem contar que os jogadores que lá estão fizeram por merecer.

Se Dunga não convocou os dois meninos da Vila, foi por achar que ainda são “crus”, pode-se dizer assim. Se não convocou Adriano e Ronaldo Gaúcho foi por ver que eles não estavam mais jogando como deveriam e nem como jogavam antigamente.

O estranho é ver como nossos políticos gostam de se intrometer e tentar influenciar uma decisão que não é deles. A CBF que é a CBF não se intromete tanto assim. Será que os demais países também se intrometem? Isso eu não sei, ainda não percebi. Só sei que, perdendo ou ganhando esta Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a escolha de Dunga é dele. Ele sabe o que faz. A única coisa que falta pra seleção brasileira melhorar é os jogadores pararem de achar que estão por cima e baixar um pouco a bola, serem mais humildes. Antigamente, na época de Pelé e Garrincha, os jogadores não ganhavam todo esse dinheiro que hoje ganham, porém jogavam com fome de bola, com gana e garra.

*Artigo publicado nas versões impressa e online do Jornal Circuito Mato Grosso

9 de dezembro de 2009

CLIMA DE NATAL

"Jesus Príncipe da Paz" é tema de exposição de Natal em Rondonópolis

Viviane Petroli - Fala Sério Mix. Foto: Raimundo Soares de Andrade Soares

Nada como um presépio para levar a todos o clima de Natal. Está sendo realizada desde o dia 1° de dezembro, em Rondonópolis (MT), a exposição de presépio feita com material reciclado "Jesus Príncipe da Paz".

São mais de 40 presépios, em diversos tamanhos, expostos no Museu Rosa Bororo, localizado na Rua Cuiabá esquina com Arnaldo Estevão no Centro de Rondonópolis.


Os presépios são todos feitos em material reciclado, como latinhas, garrafas PT, papelão, vidros, tecidos, entre outros, pelo artesão Raimundo Soares de Andrade Soares.

Os presépios ficam em exposição até o dia 23 dezembro, das 7h às 11h e das 13h às 17h.

23 de setembro de 2009

LANÇAMENTO

Livro sobre Estudos Literários será lançado em outubro por Yasmin Nadaf

Viviane Petroli – Blog Fala Sério Mix

No próximo dia 2 de outubro, a partir das 18h, no Sesc Arsenal, em Cuiabá, a autora cuiabana Yasmin Nadaf lança seu novo livro intitulado “Estudos Literários em Livros, Jornais e Revistas”.

Na oportunidade a autora lançará, também, seu site
www.yasminnadaf.com.br, onde quem o acessa pode conferir sua trajetória, seu livros lançados até o momento, assim como o que possui em seu arquivo pessoal de livros, revistas, jornais, HQ’s, DVD’s e CD’s de literatura.

O lançamento do livro e do site é de caráter beneficente em prol aos Portadores de Espinha Bífida. A aquisição do livro será obtida mediante permuta com um pacote de fralda tamanho M ou G, que poderá ser adquirido também no local.

O Sesc Arsenal está localizado na Rua 13 de Junho s/n° Bairro Porto – Cuiabá. Informações no telefone (65) 3616-6911.

12 de agosto de 2009

DA MELHOR QUALIDADE

Leonardo agita segunda noite da 18ª Festa de São Cristóvão

Noite de sábado (08.08) da 18ª Festa de São Cristóvão teve como principal atração show com o cantor sertanejo Leonardo, que agitou a galera e embalou os corações apaixonados. Reportagem do Blog Fala Sério Mix conversou com o cantor

Por Viviane Petroli – Fala Sério Mix. Fotos: Viviane Petroli (show) e Produção Leonardo (camarim)

“Entre tapas e beijos”, “Não olhe assim”, “Temporal de Amor”, “Cumade e Cumpade”, “Cerveja”, “Eu Juro”, “Talismã”, “Não aprendi dizer Adeus”, “Pense em Mim”, “Desculpe, mas eu vou chorar” e o mais novo lançamento “Esse alguém sou eu” foram algumas das músicas cantadas pelo cantor sertanejo Leonardo no sábado (08.08) em seu show realizado na 18ª Festa de São Cristóvão.

Leonardo que estava há alguns anos sem pisar nas terras cuiabanas agitou a galera que ali estavam para vê-lo, além de arrancar muitos suspiros dos corações apaixonados. Em entrevista ao Blog Fala Sério Mix o cantor revelou que este mês lançará seu novo CD e DVD ao Vivo com a música “Esse alguém sou eu”, música de autoria de Victor Chaves, da dupla Victor e Leo. O novo DVD contará com 24 músicas, entre elas as duas inéditas "Flor do Meu Sertão" e "O Cara Errado". Já o CD terá 18 faixas. “É um DVD internacional. Gravamos realmente um belo de um DVD”, conta Leonardo.

Com 25 anos de carreira, sendo 11 destes sem a presença de seu irmão Leandro, que prematuramente teve de juntar-se a Deus, Leonardo hoje realiza por ano uma média de 120 shows, o que dá de 10 a 12 shows por mês. Para o cantor está média hoje está boa. “A agenda de shows está boa graças a Deus. Depois de 25 anos de carreira a gente tem que dá uma maneirada”, brinca Leonardo.

O cantor sertanejo conta que a 18ª Festa de São Cristóvão não foi à primeira festa voltada para os motoristas que participou, segundo ele, que já realizou vários shows em festas de peão, há alguns anos atrás em São Paulo era realizado o Festival Shell voltado para os caminhoneiros do país. “Antigamente se fazia o Festival Shell em São Paulo. É legal demais, porque os caminhoneiros são como os artistas. Nós temos aí a equipe que viaja dia e noite direto. Sem eles não somos nada. Se o caminhoneiro parar o país para também. O país depende 100% dos caminhoneiros”, comenta o cantor.

Novas duplas
De uns dois, três anos para cá uma nova leva de duplas sertanejas está surgindo no Brasil e com elas um sertanejo repaginado, mas sem deixar de perder a sua raiz. Para Leonardo essa nova leva que está surgindo é muito boa e que a música sertaneja está muito bem representada por elas. “Tem várias duplas aí, como João Bosco e Vinicius, Victor e Leo, Jorge e Mateus, João Neto e Frederico, Fernando e Sorocaba. Tem muita gente boa por aí. Eu acho que a música sertaneja está muito bem representada por eles hoje. Hoje o buchicho, o que rola nas feiras agropecuárias pelo Brasil afora é que eles são o que um dia foi Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó. E eles estão aí e só tenho é que parabenizá-los”, diz Leonardo.

Sonhos
Leonardo conta que desde que começou já realizou todos os seus sonhos e que não para de sonhar, pois acredita que no momento em que se para de sonhar significa que a pessoa morreu. “Tudo o que aconteceu na minha vida, só tenho é que agradecer e sonhos a gente tem que ter, porque se não tiver sonhos quer dizer que já está na hora da gente morrer e a gente sonha a todo o tempo de ver um país aí melhor pra todo mundo, se bem que estamos caminhando muito bem. Hoje já estamos com uma igualdade maior e continuar sonhando sempre”, revela.

Pedro
Há mais de 70 dias o filho do cantor Leonardo, o também cantor sertanejo Pedro Leonardo, 22 anos, participa do reality show, da Rede Record, “A Fazenda” e desde que entrou no programa veem surpreendendo a todos que participam ou participaram do programa, principalmente o público que diariamente acompanha o reality com a sua maturidade, que muitas vezes chega a ser maior do que a dos outros 13 participantes. Leonardo conta que Pedro é muito parecido com ele nos gestos, no jeito de ser, no modo de agir, de fazer as coisas e que o filho realmente está surpreendendo e que fica muito feliz que de as pessoas estejam gostando dele e de sua participação no programa. “Todos que saem do programa elogiam muito ele e isso para um pai é um orgulho muito grande de vê as pessoas falaram bem de um filho”, comenta Leonardo.

Desde que entrou no reality Pedro criou uma amizade com o humorista Carlinhos Silva, o Mendigo, que a cada dia cresce dentro da fazenda. A amizade entre os dois participantes é tanta que o filho de Leonardo adotou o humorista como irmão. “Eles dois se parecem. O Pedro, não é porque é meu filho que vive na vida boa, mas ele é um moleque que trabalha bastante também e se identificou com o Carlinhos, também, por ele ser um cara bastante simples. É bonito de ver a amizade deles”.











































11 de agosto de 2009

SÃO CRISTOVÃO

Festa em homenagem aos motoristas agita fim de semana em Cuiabá

Realizada em homenagem aos motoristas 18ª Festa de São Cristóvão agita fim de semana em Cuiabá com vários eventos simultâneos e shows nacionais com Grupo Tradição e com o cantor sertanejo Leonardo

Por Viviane Petroli – Blog Fala Sério Mix. Fotos: Viviane Petroli

Foram três dias de muita festa, onde quem pelo Posto das Mangueiras passou deixou o local com a ansiedade de que a próxima edição da Festa de São Cristóvão chegasse logo. Nos dias 07, 08 e 09 de agosto a população cuiabana e caminhoneiros que pela cidade estavam de passagem puderam conferir shows nacionais e regionais, rodeio, apresentação cultural de Siriri, exposição, procissão, benção dos veículos, missa campal e o famoso costelão.

Há 18 anos a Festa de São Cristóvão é realizada em Cuiabá para todos os motoristas, em especial aos caminhoneiros, pois sem o trabalho deles ninguém sobrevive, e a cada ano que passa seus organizadores se superam cada vez mais. Ao longo dos anos novas atrações vão sendo acrescentadas, tanto é que este ano o comentário que se ouvia era que a 18ª Festa de São Cristóvão estava melhor que a 45ª Expoagro, tanto é que classificavam a festa como uma mini-Expoagro.

Nesta edição o público que passou pelo Posto das Mangueiras pode assistir os shows nacionais na sexta (07.08) com o Grupo Tradição e no sábado (08.08) com o cantor sertanejo Leonardo. Segundo o produtor do evento, Johnny Everson, passaram pelo Posto das Mangueiras durante os três dias de festa aproximadamente 30 mil pessoas. Johnny conta que no domingo (09.08) o fluxo de visitantes foi maior devido os portões terem sido aberto ao público.

Durante os três dias de festa artistas regionais também puderam mostrar o que de melhor Mato Grosso tem a oferecer na música. Entres os artistas mato-grossenses que se apresentaram nesta edição da Festa de São Cristóvão estavam Montenegro e Boiadeiro, Ricco e Léo, Arena Country, Walter Rabello e Odair Junior, Cristina e Regina, Carol Conde, Helder e Breno, Pedro Henrique e Matheus e o trio do rasqueado cuiabano Pescuma, Henrique e Claudinho.

Adeus
Uma das surpresas da 18ª Festa de São Cristóvão foi o show do Grupo Tradição. Natural de Campo Grande (MS) o Grupo Tradição surgiu há 11 anos e junto com ele a Micareta Sertaneja, que a cada edição vem arrastando multidão atrás de um trio elétrico. Entre as músicas do grupo as mais conhecidas e que não saem da boca das pessoas são “Barquinho”, “A Brasileira”, “Festa na República” e “O Caldeirão”.

Hoje o Grupo Tradição tem em sua formação Michel Telo (vocal e gaita), Anderson (bateria), Arapiraka (percussão), Carlos Dias (baixo), Gerson Douglas (acordeon) e Pekois (guitarra). O grupo é conhecido nacionalmente e internacionalmente pela mistura de ritmos em suas músicas, como o vanerão, o forró, o axé, chamamé, sertanejo, rasqueado, música romântica, polka e guarânias latinas.

Durante o show realizado na sexta (07.08) o Grupo Tradição anunciou ao público que aquele era mais um da série de shows que estão realizando como despedida de Michel e de Gerson Douglas que este ano deixam o grupo. Na ocasião o vocalista Michel aproveitou para agradecer o carinho do público, em especial ao fã-clube que lá se encontrava presente.

Confira alguns cliques da 18ª Festa de São Cristóvão:

Exposição e alimentação


Rodeio


Missa Campal


Apresentação cultural com o grupo de Siriri 'Flor do Campo'
Vice-Governador Silval Barbosa marca presença na festa em almoço promovido por um dos patrocinadores do evento no domingo (09.08)

1 de agosto de 2009

BRENNO REIS E MARCO VIOLA

Acaso do destino une vozes de sucesso

União entre um gaúcho de Nonoai e um baiano de Pojuca só poderia resultar numa coisa: SUCESSO ‘pra mais de metro’ nesse Brasil afora

Por Viviane Petroli para o Jornal Circuito Mato Grosso. Fotos: Divulgação Brenno Reis e Marco Viola

Tudo começou em 1997 quando Adílio Malacarne e Marcos Luis Rivarola da Silva se conheceram, por um acaso do destino, em um posto de gasolina onde Marcos Luis trabalhava em Cuiabá. Em outubro de 1998 a dupla, que nos anos seguintes estouraria neste Brasil afora, foi formada. São vários os sucessos gravados pela dupla que embalam os corações apaixonados, os corações sofridos e aqueles que gostam de um bom arrasta-pé. Opa!!! Mas esperai. Quem são estes Adílio Malacarne e Marcos Luis Rivarola da Silva que hoje estão estourados no Brasil? Eis uma coisa que todos devem estar se perguntando neste momento. Realmente, esta dupla Adílio Malacarne e Marcos Luis Rivarola da Silva existe, mas com outro nome. Se disser que Adílio Malacarne e Marcos Luis Rivarola da Silva são Brenno Reis e Marco Viola fica mais fácil de saber quem são?

Em entrevista ao jornal CIRCUITO MATO GROSSO, Marco Viola conta que seu nome na dupla se formou através do instrumento que toca, que é a viola e que só retirou o “s” de Marcos para soar melhor. Já o nome de Brenno só foi acrescentado o “Reis” para que pudesse ficar mais comercial, uma vez que já usava o nome artisticamente.

Brenno Reis, que é de Nonoai (RS) e Marco Viola, que é de Pojuca (BA), ao longo de quase 11 anos de carreira, já viajaram por vários Estados brasileiros, levando o melhor da nova geração da viola caipira, que nasceu junto com a dupla em 1998. Entre o repertório dos sete CDs já lançados “Pode voltar paixão”, “Piracicabano”, “O amor tem dessas coisas, “Faca que não corta”, “Cobra Venenosa”, “Nóis e jeca mais nóis é jóia” entre tantas outras, são algumas das modas de viola da dupla que não podem faltar nos shows.

Segundo Marco Viola, cada um dos sete CDs gravados, sendo o sétimo lançado recentemente com distribuição da Unimar Music (a Universal) para todo o país, tem um significado importante para a dupla. “Todos nossos CDs possuem um significado importante para nós. Trabalhamos meses em cada um, até que ficassem pronto e chegassem nas lojas. Então cada um é como se fosse um filho”, explica Marco Viola.

CD e DVD ao vivo e ShowsEstá agendado para o dia 26 de setembro na casa de show ‘Santa Fé Show Bar’, em Campo Grande (MS), a gravação do primeiro CD e DVD ao vivo de Brenno Reis e Marco Viola, com os maiores sucessos da dupla, além de músicas inéditas.

Entre as músicas já gravadas pela dupla estão composições próprias, além de composições de outros cantores sertanejos e de música raiz como Rick, da dupla Rick e Renner, Ataíde da dupla Ataíde e Alexandre e Zezé di Camargo, da dupla Zezé di Camargo e Luciano,entre outros. “A escolha de nosso repertório é baseado em nossos fãs. O que eles estão querendo ouvir”, revela Marco Viola.

E por falar em repertório e shows, Marco revela ainda que, sem dúvida, a música “Pode voltar paixão” não pode ficar de fora dos shows, até porque foi uma das que, até o momento, mais marcou a carreira da dupla. “Nós temos algumas músicas que não podem ficar de fora dos nossos shows, como ‘piracicabano’, ‘eu te amo’, ‘o amor tem dessas coisas’, ‘prisioneiro’, ‘pode voltar paixão’ e agora do nosso novo CD ‘eu nasci há dez mil anos atrás’ e PQP”, conta Marco Viola.

Com uma agenda lotada Brenno Reis e Marco Viola não param um minuto e agradecem este fato a Deus e a Nossa Senhora Aparecida. Para os próximos dias Brenno Reis e Marco Viola já estão com shows marcados no Paraná, em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso. “Estamos trabalhando bastante, graças a Deus e à Nossa Senhora Aparecida. E graças a eles também, somos muito bem recebidos por onde vamos”, diz Marco Viola.

Entre os shows que marcaram a dupla, está o show que fizeram com a dupla Zezé di Camargo e Luciano para um público de aproximadamente 80 mil pessoas. Quando perguntado sobre a Festa de Peão de Barretos, Marco Viola conta que, por dois anos participaram da festa e que acharam maravilhoso participar e estar lá, pois é a maior festa de peão do Brasil.

Divulgação moda de viola
O movimento da nova geração da viola caipira aos poucos está caindo no gosto das pessoas, principalmente dos jovens. Tanto é que essa nova geração está ganhando espaço na televisão, que até pouco tempo era um lugar que pouco espaço dava aos artistas da nova geração da viola caipira. Apesar de não terem participado de nenhum capítulo da novela Paraíso, da Rede Globo, Marco Viola diz que esta oportunidade que a emissora está dando na novela, para estes artistas, é muito boa. “Estamos muito felizes pelos nossos amigos João Carreiro e Capataz, principalmente porque o João Carreiro sempre se espelhou em nós. Não fizemos nenhuma participação na novela, mas se Deus quiser daqui uns dias quem sabe...”, comenta Marco Viola.

Internet
Brenno Reis e Marco Viola não poderiam ficar de fora do universo da Internet. Tanto que para manter contato com os fãs, além do site oficial www.brennoreisemarcoviola.com.br , a dupla está presente também no site de relacionamento Orkut com o perfil Brenno Reis e Marco Viola Oficial.

HOMENAGEM

O retrato da vida: Caminhoneiros

Saudade da família, estradas em péssimas condições, problemas com a saúde, noites sem dormir direito. Esta é a triste rotina do caminhoneiro brasileiro que, pelas estradas do país, roda em busca do seu ganha pão
Por Viviane Petroli para o Jornal Circuito Mato Grosso. Foto: Viviane Petroli

Eles são como os médicos, são como os cientistas, os engenheiros, os professores e até mesmo os agricultores e pecuaristas. Sem eles não sobrevivemos, não temos o que comer e não temos o que vestir e o que calçar, não temos o combustível em nossos carros e nem onde sentar para uma refeição. No último dia 25 de julho eles tiveram um dia inteirinho dedicado somente a eles. Em alguns lugares foi somente um dia, em outros as comemorações durarão até a primeira quinzena de agosto. Se pensastes no amigo Caminhoneiro acertou, pois ele é tudo isso e um pouco mais.

Ser caminhoneiro é viver longe da família, é viver constantemente sem saber o que lhe reserva pela frente, é não saber quando fará uma refeição decente que não seja a feita na cozinha da carreta. Ser caminhoneiro é entrar para a profissão e não saber quando conseguirá se aposentar, ser caminhoneiro é enfrentar os perigos da estrada e rezar a Deus e pedir que lhe guie e lhe proteja.

Com mais de 20 anos de profissão, Artemio Freitas sempre trabalhou com caminhão graneleiro e está há um mês sem ver sua família. Ele conta que a ligação que faz para ter notícias de sua família não mata a saudade que sente. Natural de Marechal Cândido Rondon (PR) Artemio é mais um dos milhares de caminhoneiros que pelas estradas brasileiras chegam a passar meses longe da família, principalmente quando é tempo de safra. “Já cheguei há ficar 90 dias sem ver minha família. Isso ocorre, principalmente, em época de safra. A saudade não era tanta quando meus filhos, que hoje possuem 25 anos, eram pequenos, mas depois que fizeram seis anos e começaram a estudar, tiveram de parar de viajar comigo”, conta Artemio, que ainda tem um irmão na mesma profissão.

Até hoje é comum vermos pais caminhoneiros carregando a família ou um dos filhos consigo na boleia do caminhão em período de férias ou quando os mesmos ainda não estão estudando. “Só eu sou caminhoneiro na minha família, mas a ideia do meu filho de 12 anos é seguir meus passos e se tornar um caminhoneiro. Desde pequeno ele é apaixonado por caminhão”, comenta Valdecir Salvador, acompanhado do filho. Há 15 anos Valdecir é caminhoneiro. Natural de Catanduva (SC), ao contrário de Artemio, o máximo que chegou a ficar longe da família foi 40 dias.

Além da saudade da família, os caminhoneiros têm de enfrentar outras saudades: a de uma cama decente, a de um banho decente e o de uma comida decente, pois a cama do caminhão não é a mesma de suas casas, os chuveiros dos postos de combustível não são os mesmos de sua casa e a comida feita no caminhão ou de restaurantes e lanchonetes de beira de estrada não é a mesma feita por sua esposa ou mãe. Só para se ter uma idéia, a cozinha de um caminhão, uma caixa quadrada, em alguns casos, cabe apenas um pequeno fogão camping (duas bocas), alguns utensílios domésticos e um que outro alimento não perecível.

Estradas brasileiras
Não é de hoje que o brasileiro sofre com os problemas nas estradas do Brasil e quem mais sofre com isso são os caminhoneiros e os motoristas de ônibus. “São estradas ruins, cheias de curvas irregulares, sem sinalização em boa parte delas, asfalto de péssima qualidade e ainda temos de aguentar os guardas querendo nos multar, mesmo que o caminhão esteja com tudo em ordem e, se não damos dinheiro, aí sim eles vem e nos multam e ainda inventam qualquer irregularidade. Eles deveriam é nos ajudar isso sim, pois além de tudo o que já enfrentamos com as estradas ruins, ainda temos de enfrentar os assaltos e os roubos de carga e caminhão”, diz Artemio Freitas. Há 15 anos trabalhando como caminhoneiro, Cláudio Antonio da Silva, de Ourinhos (SP) diz que onde existe pedágio as estradas são boas, contudo nos trechos em que não há é um perigo total. “O pior trecho que já enfrentei foi o do corredor da morte”, diz Cláudio, se referindo ao trecho Rondonópolis-Cuiabá.

Cláudio não é o único que reclama do trecho entre as duas cidades mato-grossenses. Conforme Altemir Dalaca, 24 anos como caminhoneiro, o trecho entre Rondonópolis e Cuiabá é muito violento. Para Altemir o pior trecho é este até o município de Sorriso. “É necessário que esta duplicação da BR 364 saia logo”, completa Altemir que é de Caxias do Sul (RS).

“Graças a Deus nunca sofri acidente, mas já vi amigos sofrerem acidentes. As estradas do Brasil estão muito ruins, é preciso todo um reparo nelas. O trecho entre Cuiabá e Rondonópolis tenho de fazer com muita calma e paciência. É um buraco em cima do outro, às vezes nem tem como escapar pelo acostamento, porque não tem”, revela Vânio Carlos Neves, que há 33 anos é caminhoneiro, durante churrasco em homenagem ao dia do motorista, promovido pelo Posto Aldo Locatelli.

Empresários também reclamam
A reportagem do CIRCUITO MATO GROSSO aproveitou para conversar com proprietários de frota de caminhão e saber deles quais os principais problemas de ser um empresário deste ramo. De acordo com Vitório Manica, há 33 anos no ramo e há 13 como proprietário de frota, as despesas com a frota são muito grande, principalmente quando o assunto é combustível. “Depois do combustível nosso maior problema é com as despesas em oficina e pneu, devido ao estado em que as rodovias e BRs do Brasil se encontram. Por esse motivo, meus caminhões estão direto na oficina”, revela Vitório.


Assim como Vitório, para Cláudio Rigatti,proprietário da Rigatrans Transportadora Ltda., o custo de se manter a frota é muito grande. “Nossos prejuízos são vários. O diesel é caro, os gastos com oficina e pneus são altos e ainda temos de enfrentar a falta de segurança nas rodovias. Só está e entra para a profissão quem gosta mesmo”, comenta Rigatti.

18ª Festa de São Cristóvão
Em comemoração ao Dia do Motorista (25 de julho), nos dias 07, 08 e 09 de agosto será realizado, na Comunidade de São Cristóvão -Posto das Mangueiras, a 18ª Festa de São Cristóvão. Durante as festividades motoristas e comunidade poderão conferir shows nacionais com o grupo sul-mato-grossense Tradição (07.08) e com o cantor sertanejo Leonardo (08.08). No domingo (09.08) será realizado o famoso Costelão de São Cristóvão e as festividades religiosas.

19 de julho de 2009

POEMAS

Rômulo Netto: Um jornalista - poeta de alma e coração

Com uma inspiração que não sabe de onde vem, Rômulo Netto acaba de lançar trilogia e já encontra-se escrevendo outros três livros simultaneamente

Por Viviane Petroli para o Jornal Circuito Mato Grosso. Fotos: Viviane Petroli

“Deixa disso menino. Aqui nesta casa não tem nenhum Castro Alves”, é o que dizia a irmã do jornalista e poeta Rômulo Netto quando este ainda era um menino de nove anos e começou a rabiscar no papel seus primeiros poemas. Mas o que ela não esperava é que os poemas de seu irmão deslanchariam quando ele entrasse na faculdade.

Formado em jornalismo pela Universidade de Brasília (UNB), Rômulo Netto, mineiro de Paracatu, chegou à Cuiabá em janeiro de 1972. Com especialização em Comunicação Rural, Rômulo foi convidado para organizar os vestibulares da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e de 1974 a 1979 exerceu a função de Presidente da Comissão Permanente de Concurso de Vestibulares da universidade, onde organizou 28 vestibulares. Entre 1979 e 1991, ainda na UFMT, Rômulo criou a Imprensa Universitária, a Editora da UFMT e, enquanto esteve à frente do Conselho da Imprensa Universitária, lançou a Revista Universitária, que deixou de ser escrita quando saiu do Conselho em 1991.

Rômulo aposentou cedo em sua opinião. Aos 47 anos Rômulo aposentou-se por tempo de serviço prestado e, desde então, passou a dedicar-se mais a sua família e aos poemas. Em mais de 20 anos Rômulo já lançou 24 livros. Alguns destes ele possui guardado em sua casa, outros diz não ter.


Ameríndia foi seu primeiro livro a ser lançado em outubro de 1980. Nele, através da poesia, descreve a destruição do Império Inca. Para o lançamento de Ameríndia, Rômulo conta que conseguiu trazer o Embaixador do Peru, na época e que este ficou impressionado por Rômulo saber mais sobre o Peru do que os professores universitários do país. “Ele chegou a me perguntar por quanto tempo fiquei no Peru para pesquisar sobre a destruição do Império Inca, pois sabia mais que os professores de escola e universidade do País. Respondi para ele que nunca havia ido ao Peru, o que era verdade”, lembra-se Rômulo.


Em 1982 ocorreu, na UFMT, um encontro de reitores do Brasil e, com o intuito de presentear as esposas dos reitores, o então reitor da universidade, Gabriel Novis Neves, perguntou a Rômulo se ele não possuía um livro para presenteá-las. Por sua vez Rômulo disse que sim e então escreveu seu segundo livro.


Conforme o tempo passava, a inspiração de Rômulo aumentava cada vez mais. Em sua mente poemas e poesias românticas, dramas, alertas para a sociedade, natureza entre outros gêneros em sua mente surgiam. Pássaro Perdido, Veias Vorazes, Lua de Papel surgiram sequencialmente. Durante 13 anos, Rômulo deixou de escrever seus livros e, em 1999, para quebrar o atraso, lançou ao mesmo tempo Primavera Silenciosa e Duas Meninas e Sua Casa (livro este que conta, através da poesia, sobre o dia-a-dia de suas filhas quando eram pequenas, incluindo brincadeiras e brigas). De 1999 até os dias atuais Rômulo não mais parou de escrever e revela não saber de onde vem tanta inspiração para no papel colocar tantas palavras. Limite, Mão de Vaca, Os Deserdados da Sorte (três livros em uma só publicação), Transitoriedades foram surgindo e dando lugar a novos poemas. “Tenho um carinho muito especial por Duas Meninas e Sua Casa por ser um livro que fala de minhas filhas quando eram pequenas. Tenho carinho também por Primavera Silenciosa e Transitoriedades por falarem da natureza e do ser humano”, comenta o poeta.

Trilogia
Em 12 de maio Rômulo lançou uma trilogia, onde apenas o primeiro livro considera ser um conto e os outros dois capítulos de novela, por poderem ser lidos alternadamente. Contos dos Gerais, Filisberto das Âncoras e As Jagunças até hoje são seus únicos livros publicados que não foram impressos e ilustrados por ele. “Alguns de meus livros foram feitos em casa e outros o Conselho Editorial da UFMT é quem fez a impressão. Meus três últimos livros foram publicados pela Editora Tanta Tinta, através da Lei de Incentivo à Cultura, onde me incentivaram a participar”, conta Rômulo.


O único livro da trilogia em que todas as personagens centrais são mulheres é em As Jagunças, onde 21 mulheres são as personagens centrais. “É um livro feminista. Nele não utilizei pontos e nem vírgulas, coisa que há algum tempo já venho fazendo”, explica.


De tamanha vontade que tinha de escrever e inspiração, Rômulo sem perceber, enquanto escrevia Filisberto das Âncoras (personagem este que surgiu em Os Deserdados da Sorte) acabou escrevendo o livro A Urna Desmemoriada. “Levei para a editoração ler e eles me ligaram, dizendo que eu havia escrito dois livros em um. Então li tudo e vi que realmente havia, sem perceber, feito isso. Acabei separando os textos e publicando dois livros”, diz.

Novas publicações
Munido de um caderno feito por ele mesmo Rômulo aonde quer que vá, está sempre escrevendo. Segundo ele, as palavras surgem do nada em sua cabeça e não sossega enquanto não colocá-las no papel para que, depois de concluir todo o livro, possa passar as poesias para o computador. Hoje, simultaneamente, Rômulo está escrevendo outros três livros de poesias e poemas. “A inspiração não tem hora pra vir. É muito difícil eu rasgar um poema que já tenha escrito. As vezes só troco uma ou outra palavra e todos os meus poemas são datados”.


Entre todos os 24 livros que já publicou Rômulo revela que Os Deserdados da Sorte e Transitoriedades deveriam ser publicados em massa, pois eles fazem um alerta ao ser humano das coisas que estão acontecendo, como a poluição e a morte de um rio, por exemplo.

TEATRO FÚRIA

Furiosos de Cuiabá partem para estremecer Curitiba

A partir de novembro, Teatro Fúria leva para Curitiba, toda sua fúria na mala e, enquanto não se muda, segue aberto com sua escola de Teatro

Por Viviane Petroli para o Jornal Circuito Mato Grosso. Fotos: Arquivo Teatro Fúria

Tudo começou ainda na Cuiabá do século XX, mais precisamente em 1992, quando ainda adolescentes Péricles, Caio, Giovanni, Bruna e Toledo eram alunos de Gilberto Nasser, no Grupo Ânima, que era um teatro amador feito nos finais de semana na antiga Escola Técnica Federal. Contudo em dezembro de 1998 ,é que realmente nasceu o Teatro Fúria. Nasceu como um grupo de teatro profissional. De acordo com Péricles, o Grupo Anima, no início do caminho do Fúria, foi que lá, não só se desenvolveu o trabalho de ator e sim um trabalho de dramaturgia, de direção, iluminação e sonoplastia e, que todo esse aprendizado, lhes deu segurança para começar a desenvolver a linguagem do Fúria. “É por isso que sempre citaremos o Ânima e o Gilberto Nasser, que nos iniciou de forma generosa e sem cobrar nada”, comenta Péricles.

Até o ano passado, o Teatro Fúria funcionava de forma fechada e, este ano, resolveu inovar e abriu a Escola do Teatro Fúria, onde todos que participam da Escola avançam com os criadores, em sua pesquisa, é considerado um furioso. Hoje, desde a criação do Teatro Fúria, apenas Péricles, Caio, Giovanni e Bruna continuam na luta para mostrar o que é o Fúria. Conforme Péricles, Toledo deixou o Fúria no final de 2008, mas quando quiser voltar sempre encontrará as portas abertas e os companheiros de luta de braços abertos. “Com a saída de Toledo, no ano passado, mas que tem o direito conquistado de voltar à hora que desejar, portanto, ele também, mesmo que desminta isso, é um de nós, hoje temos no Fúria a Emily como a mais nova integrante da Aldeia. A Emily é sobrinha do Amir Haddad, uma das grandes almas nobres do teatro nacional e, para nós, é uma grande alegria iniciá-la no teatro”, conta Péricles.

Péricles conta que o nome Teatro Fúria é devido ao fato de eles serem “os furiosos que reagem às expectativas impostas pelo sistema democrático/capitalista/cristão”. Para eles Fúria significa coragem e luta. “É o nome que representa nosso estilo de fazer teatro: o teatro não como profissão e sim como estilo de vida”, completa Péricles.

Apresentações
A primeira apresentação do Fúria foi o espetáculo Nepal que aos poucos foi dando espaço para outras peças. Na sequência de Nepal vieram Consolero, Frederica, Encaixotando Shakespeare, Frederica – a Verdade Maior que o Corpo, Apartamento 501, Rochdale, A Justiça do Zero a Zero, Os Bichos Narram Quixote. Segundo Péricles há dois novos textos que ainda não foram estreados, que são O Buraco e Carrossel Cusco. “Carrossel Cusco estreia este ano e foi premiado pelo Cuiabá Cidade Arte, da Secretaria Municipal de Cultura de Cuiabá. Tínhamos um projeto no centro de detenção de menores, o Complexo Polmeri (antiga Fazendinha). Lá fizemos dois espetáculos que foram o Quebra-Cabeça e Por Trás do Pano”, lembra.

Por ser um grupo de vasto repertório, o Fúria está com vários espetáculos em cartaz. Entre os mais requisitados estão Nepal, Frederica e Encaixotando Shakespeare, mas não na Hell City, como Cuiabá vem sendo chamada no universo cultural e sim pelo país e festivais nacionais e internacionais de teatro. “Apresentamos mais fora de Mato Grosso do que por aqui mesmo. Por ser uma cidade pequena, as temporadas são rápidas. Geralmente sete dias quando o espetáculo é dentro de teatro e um mês quando é em espaços alternativos. Por intermédio dos festivais e programas de circulação de espetáculos (Palco Giratório – Sesc Nacional, Caravana Funarte, projetos particulares contemplados pela Lei Rouanet) já percorremos com nossos espetáculos e laboratórios, 18 Estados e perto de 60 cidades brasileiras. Nesta segunda década, queremos percorrer a América Latina”, revela Péricles.

Diferenças
Péricles diz que cada grupo teatral é diferente um do outro, mas que a grande diferença do Fúria para os outros é que eles são um grupo de motivação ideológica política e social. “Os espetáculos dizem o que os integrantes têm a dizer. Nos interessa o sucesso, mas não o sucesso oriundo das expectativas do sistema. Queremos o sucesso oriundo de conseguir dizer as nossas verdades amadurecidas e desenvolvidas nos ensaios. O sucesso para nós é conseguirmos desenvolver um modo para dizê-las, que cause interesse no público sobre as verdades que acreditamos. Isso, às vezes, pode parecer a quem não nos conhece, que vivemos a dar murros em pontas de faca, mas não é assim. O fato é que sabemos exatamente o motivo de fazermos teatro e o nosso teatro está diretamente ligado ao nosso espírito. À motivação que nos leva a viver”, explica Péricles.

Rumo à Curitiba
Dentro de menos de quatro meses o Teatro Fúria estará de malas prontas rumo à Curitiba (PR), não para uma apresentação e sim de malas prontas para se fixar na cidade. Péricles conta que o grupo já está estagnado e que, nesta nova década, a principal vertente do Fúria é a Escola do Teatro Fúria, “pois é a Escola que fará o aprimoramento da nossa linguagem e a renovação do Teatro Fúria e os Insurretos Furiosos Desgovernados”. Péricles completa dizendo que “aqui ninguém dá a mínima para ela. Temos atraído ótimas cabeças, mas em quantia insuficiente de experimentadores. Para mantê-la viva utilizamos o mesmo método que usamos para manter vivos nossos espetáculos: A perambulação por outros Estados brasileiros”.

Hoje a Escola de Teatro Fúria funciona na Galeria do Insurreto Pádua Nobre e, por ainda ser nova, possui poucos laboratórios. Até o momento são quatro laboratórios, divididos cada um em carga horária de 25 horas.

Confira os quatro laboratórios da Escola Teatro Fúria, segundo Pérícles:
1) Laboratórios para sujeitos curiosos leigos - IniciaçãoSempre de forma muito lúdica e prazerosa, os experimentadores tomam contato com a mímica, a construção de personagens da comédia dell'arte, encenação de esquetes, o teatro do oprimido de Augusto Boal e a construção de cenas de modo autogestivo na Caixa-Mágica com suas Marionetes Humanas.Carga horária de 25 horas

2) Laboratórios Democráticos - para artistas iniciadosExperimentamos o que desde pequenos nos ensinam sobre o que é democracia e como ela funciona. Como a democracia é na realidade e como na realidade funciona, o que devemos fazer para a democracia ser mais eficiente, no que diz respeito à promoção de justiça e O QUE deveria ser a democracia e COMO deveria ser. Após estes laboratórios, o artista iniciado terá muito mais clareza da função ou disfunção do artista nas circunstâncias democráticas.Carga horária de 25 horas.

3) Laboratórios da Dramaturgia da Árvore - Oficina de dramaturgia. Se experimenta passo-a-passo os métodos de construção de textos teatrais do Teatro Fúria neste últimos 10 anos, se analisa outras dramaturgias, maneiras de se explorar o sub-texto e superobjetivo, experimenta-se a adaptação de outras obras para a linguagem de cena e se mostra as convenções de comunicação.Carga horária de 25 horas.

4) Desalienação dos sentidos - O laboratório Desalienação dos sentidos visa despertar, através de exercícios de consciência dos cinco sentidos (tato, audição, paladar, olfato e visão), o 6º sentido: A desalienação social e política. A interpretação dos verdadeiros interesses por trás das mensagens nos impostas pelos governos, mídias e religiões moralizantes. E como conseqüência, a análise de nossos irracionais comportamentos tirânicos, desenvolvidos pela nossa educação autoritária, em prol dos interesses do sistema capitalista/democrático/judaico-cristão. Carga horária de 25 horas.

Fúria e o cinema
O Fúria, conforme Péricles, sempre teve o objetivo de criar um núcleo de cinema, intitulado O Cinema Fúria, quando se mudassem e estivessem estabelecidos com a Escola e a sua Aldeia em Curitiba. Péricles conta que tem um cunhado que é cinemeiro em Atlanta e que ele faz filmes e dá aulas de cinema na faculdade dos Estados Unidos e que ele tinha muita vontade de fazer um filme em Chapada dos Guimarães. “Calhou de ele dar uma palestra no Rio de Janeiro sobre cinema, então adiantou sua viagem em dois meses para que, enquanto ele viesse nos visitar, antes de seu compromisso, fizesse um curta-metragem conosco. Mas como eram poucas locações, poucos atores e, além de tudo, tivemos muita colaboração voluntária, observamos que o custo de produção deste curta não seria tão superior ao custo de um longa e, por isso, optamos pelo longa, já que é muito melhor pra sua divulgação, já que ninguém dá a mínima pra curta metragem. Em suma: a história do filme é esse. O nome do filme é Transmigration of Soul and Body e é uma parceria do Cinema Fúria, Universidade de Artes de Atlanta, Universidade de Artes de Pitsburg, Social Filmes de São Paulo e Sunshine Entertainment de Nova York e estreia em outubro nos Estados Unidos e no Brasil. Foi filmado em Chapada dos Guimarães e algumas poucas imagens aqui em Cuiabá. É uma história sobre delírio”, explica Péricles.