28 de setembro de 2012

SOJA 2012/2013



Plantio da safra brasileira é lançado oficialmente em Sorriso

Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho diz que escolha de MT não foi por acaso, mas sim pelo trabalho feito ao longo dos anos com pesquisas e investimento em tecnologia

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado - Enviada Especial a Sorriso (edição do dia 25 de setembro de 2012)
Fotos: Viviane Petroli

Lançamento da Safra de Soja 2012/2013 brasileira em Sorriso (MT)
O plantio da safra brasileira da soja 2012/2013 foi lançado ontem (25 de setembro) em Sorriso, tida como a capital nacional do agronegócio. Esta é a primeira vez que o plantio da oleaginosa é lançado para todo o país e a escolha pelo município e Mato Grosso deve-se ao fato de se tratar dos maiores produtores do grão no Brasil. Para este ciclo, novos recordes estão projetados com 7,890 milhões de hectares e 24,13 milhões de toneladas. Juntamente com o milho esperasse 38,06 milhões, segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para o Brasil, a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Brasil (Aprosoja Brasil) estima 27,5 milhões de hectares, área 10% maior que na safra 2011/12, e 83 milhões de tonelada, um aumento de 14% na produção do grão. A largada na safra ocorreu na Fazenda Grupo Agroverde de Paulo Freitas, Renato Freitas e Moacir Bataglini.

Para o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, a escolha por MatoGrosso e Sorriso não foi por um acaso. Ele comenta que os constantes recordes vividos no Estado e no Brasil não são “sorte” e sim todo um trabalho feito ao longo dos anos com pesquisas e investimentos em tecnologia.  “Chegamos aos 165,8 milhões de toneladas que almejávamos para a safra 2011/2012 de grãos no Brasil. Nossa meta é chegar as 200 milhões de toneladas e Mato Grosso tem papel fundamental nisso. Temos problemas de gargalos? Temos, sim, mas eles ao longo dos anos estão sendo enfrentados”.
Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, admite problemas de gargalos no escoamento, mas, segundo ele, estes estão sendo enfrentados ao longo dos anos

Segundo o presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, o lançamento é de suma importância, pois a soja já é uma commodity mais do que consolidada no Brasil.

Para o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Carlos Fávaro, a vinda do ministro da Agricultura para o Estado significa reconhecimento. “E foi propício para que ele conhecesse nossa realidade tanto na produção quanto nas dificuldades e problemas que nos preocupa é o segundo semestre com o milho”.
E foi dada a largada nos trabalhos nas lavouras de soja de Mato Grosso e do Brasil

5 de agosto de 2012

FERNANDO & SOROCABA

Sertanejos apostam em videoclipes  como meio de divulgação

Considerado o maior compositor dos últimos tempos Sorocaba têm canção gravada por Chitãozinho & Xororó em parceria com a dupla Fernando & Sorocaba

Viviane Petroli
Blog Fala Sério Mix
Foto: Viviane Petroli e Produção Fernando & Sorocaba (camarim com a máquina da repórter)


A utilização de videoclipes para auxiliar na divulgação de novas canções no Brasil andava um pouco esquecida. Canais, como a MTV Brasil, eram buscados para tal independente do ritmo musical. Tanto que era possível verificar em meio aos “tops 10” até clipes sertanejos. Hoje, novas duplas e grupos musicais estão apostando novamente neste modelo de divulgação no país, entre eles está a dupla Fernando & Sorocaba que utiliza de diversos modos à apresentação de seus videoclipes, seja em seus shows, site, Facebook, You Tube e até mesmo no canal Multishow, que conta com um espaço voltado para o estilo sertanejo com o “Tvneja”.

Em menos de um ano a dupla Fernando & Sorocaba já lançou três clipes musicais: “É Tenso”, “A Verdade” e o mais recente “As mina pira”. Quem os assiste percebe o quanto a dupla gosta de inovações, prova disso é que fogem dos tradicionais clipes retirados apresentação de shows ao vivo. Além dos dois, outros músicos estão trazendo à tona este modelo de divulgação de seus trabalhos, como é o caso de Victor & Leo e Luan Santana, que por sinal chegou a se transformar em um senhor de 70 anos em “Te Vivo” lançado recentemente.

Sorocaba, atualmente um dos maiores compositores da música brasileira a ponto de em 2011 ser o primeiro colocado no ranking dos maiores arrecadadores de direitos autorais do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD), revela que mais clipes virão ainda este ano.

“Estamos na onda do videoclipe agora. Apostando nele, pois estavam faltando no Brasil. É bacana e as pessoas curtem, até por trazemos histórias engraçadas em alguns, como ‘É Tenso’ e ‘As mina pira’”, declarou o músico em entrevista exclusiva para o Blog Fala Sério Mix pouco antes do show em Cuiabá, na 21ª Festa de São Cristovão, no dia 3 de agosto.

SONHO REALIZADO

De acordo com informações do ECAD em seu site, Sorocaba apareceu em primeiro lugar no ranking dos maiores arrecadadores de direitos autorais o ano passado desbancando grandes compositores da música brasileira, como é o caso de Roberto Carlos que apareceu em terceiro lugar. A segunda colocação ficou com Victor Chaves, da dupla Victor & Leo.

Sorocaba comenta que nunca pensou estar entre os primeiros maiores compositores. “Essa história toda do compositor veio totalmente paralela a minha vida. Eu nunca almejei ser o maior compositor do Brasil. Nunca almejei estar entre as primeiras colocações do ECAD, no caso agora em primeiro e estou muito feliz por isso. Eu almejei cantar, eu almejei subir ao palco e levar alegria junto com a minha dupla e isso veio consequentemente, paralelamente”, comenta Sorocaba.

Em meio a tantos sonhos da dupla, Sorocaba revela que um de seus sonhos está preste a concretizar-se. A dupla Chitãozinho e Xororó lança nesta segunda semana de agosto a música “O tamanho do nosso amor” de composição dele. “Este ano a dupla Fernando & Sorocaba está realizando um sonho. Sempre tivemos o sonho do Chitãozinho e Xororó, que a gente considera um dos pais da música sertaneja, gravar uma nossa que se chama ‘O tamanho do nosso amor’, que é de minha composição, e a gente teve a oportunidade de gravar junto. Então foi a realização de um sonho. Creio que muitos ainda vão gravar minhas músicas”.

Sorocaba em sua trajetória musical coleciona mais de 100 canções, dentre elas pode-se citar “Madri”, ‘Bala de Prata”, “Paga pau” e “Tô passando mal” gravadas juntamente com sua dupla Fernando. Já as gravadas por outros cantores, como é o caso de Luan Santana, está “Meteoro”.

CUIABÁ

Nascido em Ji-paraná, em Rondônia, Fernando aos 15 anos veio para Cuiabá (MT) em busca de realizar seu sonho: o de ser cantor. Segundo o músico, sua permanência pela Capital mato-grossense durou cerca de seis anos, onde fez inúmeros amigos. Neste meio tempo tocou em diversas casas noturnas e até mesmo por diversas vezes na Festa de São Cristovão. Durante seu show, realizado na festa, comentou com o público já ter tocado no grupo Arena Country e com o músico cuiabano Johnny Everson.

“Vim para Cuiabá através de amigos de Rondônia que vieram antes para cá. Eles me convidaram para vir cantar aqui com eles e fiquei morando na cidade de cinco para seis anos, tocando na noite, em bandas, inclusive já tive banda aqui. Tenho muitos amigos aqui em Cuiabá. Logo depois fui para Minas Gerais, onde morei um tempo também, e através de amigos de lá conheci o Sorocaba e estamos juntos há cinco anos”, disse Fernando.

2012

Fernando & Sorocaba comenta que para este restinho de 2012, além de novos clipes musicais, o objetivo é trabalhar mais e levar a alegria ao seu público. “Esperamos trabalhar mais, lançar mais clipes e melhorar nossos shows cada vez mais. Isso é o que a gente ama fazer que é ir para a estrada e fazer nossos shows com qualidade”, frisa Sorocaba.

“Continuar trabalhando é o que queremos. E como o Sorocaba disse continuar apostando nesta onda dos clipes. Queremos continuar fazendo isso. A gente não para, tanto que já estamos pensando no próximo trabalho, mas não temos nada definido ainda”, comenta Fernando.

2 de agosto de 2012

CONSTRUÇÃO CIVIL

Setor mantém economia local

Especialistas preveem que situação deve continuar por mais 2 anos, principalmente devido à Copa

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado (publicada na edição de 29 de julho de 2012)


A construção civil deverá pelos próximos dois anos continuar segurando a economia de Cuiabá. As projeções são de especialistas e do próprio setor. O segmento, que lidera as contratações na capital mato-grossense em 2012, deverá manter-se em alta até 2014. A tendência baseia-se nos programas do governo federal que geram renda e consumo, somadas aos incentivos como maior prazo para pagar, as obras da Copa do Mundo de 2014 e a vinda de novos negócios que trazem executivos e suas famílias para a cidade. Ao ano os imóveis em Cuiabá valorizam-se em média 5%. Atualmente, 60% dos imóveis mais buscados são os de até R$ 200 mil.

De acordo com o economista Vitor Galesso, quando o ano é de baixa economia o PIB de Cuiabá cresce entre 8% e 9%, enquanto em bons anos, como se tem vivido nos  últimos três anos, 20% ano. “Mas, economia crescendo em 8%. A média normal é 12%. Após a Copa teremos estagnação na economia e a construção civil entrará em saturação. Com isso, o governo de Mato Grosso tem de começar a planejar o pós-2014 com incentivos ao comércio e serviços para que a economia siga em alta”.

Galesso comenta que o PIB de Cuiabá tem atraído novos negócios, o faz executivos buscarem moradia na cidade e eleva o consumo de imóveis. “O que leva mais investidores na construção civil vir para a cidade”.

O diretor regional da Construtora Plaenge, Rogério Fabian, confirma a análise do economista. “O ciclo da construção é longo e o que se tem visto hoje é um reflexo das vendas realizadas em 2010 e 2011. Este ano é ano de construção, tanto que somente agora as obras da Copa de fato começaram. O que vemos seguirá até 2014”.

Fabian comenta que em Cuiabá entre 2006 e 2011 o volume de obras cresceu cinco vezes. Prova disso, como revela, é que até 2009 a Plaenge entregava até três torres ao ano e este ano serão 12. “Para 2013 estão previstas 10 torres. O bom momento da economia cuiabana trouxe muitos construtores, alguns inclusivejá foram embora devido o mercado ser de localidade, ou seja, é preciso ter conhecimento da cidade antes e não construir algo como em sua cidade de origem. A construção é como a agricultura, consegue movimentar todas as classes, gerar renda e demais segmentos”.

INCENTIVOS

Ao ano os imóveis, segundo o presidente do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), Marcos Pessoz, sofrem uma valorização de 5%, dependendo da localização, custo terreno, mão de obra e materiais. “Hoje, são vários os fatores, na verdade, para o setor estar em alta. A construção civil estava ineficiente e por isso o deficit de habitação era grande. Agora criou-se condições macroeconômicas para que a construção pudesse crescer, como redução taxas de juros, redução IPI para materiais e equipamentos, aumento do prazo para pagar o imóvel, programas,o que traz novos investimentos e geração de renda”.

EMPREGO

Levantamento do Cadastro de Emprego e Desemprego (Caged), divulgado na semana que passou, revela que no 1º semestre de 2012 o saldo positivo de admissões foi de 3.089 vagas, enquanto em 2011 haviam sido 882 em Cuiabá. Em serviços permaneceram 1.525 e o comércio teve saldo negativo de 732.

O presidente do Sindicato da Indústria da ConstruçãoCivil de Mato Grosso (Sinduscon-MT), Cezário Siqueira, comenta que a inversão de admissões, que consequentemente tem levado, também, a construção civil a segurar a economia, é um fator do processo nacional de empregos regulares em decorrência do aumento de formalizações. “Há 10 anos, apenas 40% das contratações eram de modo formalizado, hoje é de 60%”.

RECORDES

MT pode não ter como escoar

Prazo, segundo o setor e analistas, é de cinco anos devido aos volumes históricos de produção

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado (publicada na edição de 22 de julho de 2012)


Mato Grosso pode em cinco anos ver sua safra de grãos se perdendo nas lavouras se não a conseguir escoar. O colapso não é descartado por especialistas e o próprio setor  produtivo se a produção seguir em franco crescimento, em especial por conta dos preços renumeradores. O setor revela que devido à produção recorde de milho nas maiores regiões produtoras, há cereal sendo estocado fora dos silos; contudo, situação só não se alastrou para todo o Estado, porque o escoamento da soja foi rápido devido à grande demanda, em especial do mercado estrangeiro.

Em 10 anos a produção de grãos em Mato Grosso cresceu 106,06%, saltando de 18,48 milhões de toneladas (t) para 38,08 milhões. Somente a soja representa 56,1% da atual safra, segundo levantamento da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).

De acordo com o produtor de Sinop e 2º diretor financeiroda Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Antônio Galvan, se a produçãoseguir em alta e a infraestrutura de escoamento seguira mesma poderá ter produção estragando na lavoura ou nos armazéns. “Isso ocorrerá se não tivermos uma crise no setor devido aos preços, principalmente”.

A questão, também, é referendada pelo economista em políticas rurais, Adriano Figueiredo. “O colapso não é descartado. Se a produção seguir em crescimento, não só no Brasil, mas como no mundo, haverá oferta de produtos demasiada e os preços acabarão caindo e como os produtores ainda têm  p r o b l emas de armazenagem acabarão vendendo pelo preço que aparecer o que não trará renumeração. O escoamento rápido e a falta de silos pode inclusive transformar os caminhões em armazéns  novamente, principalmente nas filas dos portos e empresas, visto que não se  dará conta de descarregar”.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capacidade de armazenagem de Mato Grosso é de 32,049 milhões de toneladas, considerando todas as redes armazenadoras de produtos agrícolas. Segundo o economista, os produtores ao mesmo tempo que pressionam o governo federal em relação à situação das rodovias, ferrovias e hidrovias, necessário avaliar a viabilidade de se incrementar a produção. “É preciso fazer armazéns nas propriedades também. Tenho notícias que há empresas especializadas, até mesmo em silos pré-moldados, se instalando no Estado. O produtor
tem de buscar alternativas e ver se vale a pena investir em aumento de produção”.

EXCESSO DE MILHO

A 2ª safra 2011/12 de milho cresceu 103,6% em comparação a 2010/11, saltando de 6,9 milhões de t para 14,2 milhões de t. De acordo com Galvan, nas regiões que mais produziram o cereal já é possível ver o produto sendo estocado para fora dos armazéns. “Produzimos mais do que esperávamos. A situação só não está pior, ou seja, em todo o Estado, porque a soja foi escoada rápido em decorrênciada quebra de safra nos Estados Unidos e a crescente demanda na China. O que prova que podemos ter problemas no futuro”.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, comenta que ao passo que a produção aumentou em 10 anos a infraestrutura parou no tempo. “É fato que teremos um apagão rodoviário e que teremos problemas para armazenar. Nesta safra não estamos tendo problemas, também, devido os bons preços, o que ajudou a escoar. Entretanto, uma hora a bomba vai estourar”.

Prado comenta que só em 2012 a demanda de grãos da China é de 12 milhões de toneladas. Na safra 2011/12 foram produzidos 21,3 milhões de t de soja. A estimativa era 23 milhões, porém não se concretizou devido à intensidade da ferrugem asiática nas lavouras do grão.

Ao comparar com a safra passada a produção de soja cresceu 3,9%. Já o algodão, apesar da redução da área em 0,3%, prospecta que a produção de pluma cresça 6,6%, saltando de 937,3 mil t para 999,4 mil. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

PRODUÇÃO DE LEITE

Desorganização trava cadeia

Hoje, produtor de MT não sabe quanto gasta para produzir um litro, o que dificulta o retorno

Viviane Petroli (*) ENVIADA ESPECIAL A SÃO JOSÉ DOS QUARTO MARCOS
Jornal Folha do Estado (publicada na edição de 22 de julho de 2012)


Mato Grosso possui um potencial indescritível de produção em várias cadeias. Entre  elas a leiteira, que poderia estar entre as cinco maiores do Brasil se não fosse a “desorganização” do setor, como o próprio segmento relata. Hoje, o Estado figura em 10º lugar no país. Muitos produtores não sabem se quer quanto recebem por um litro de leite e se o valor traz rentabilidade. Atualmente, a média recebida pelo litro de leite é de R$ 0,67 e os gastos para produção, conforme o 1º Diagnóstico da Cadeia do Leite de Mato Grosso, divulgado em abril, fica entre R$ 0,50 e R$ 0,60. Ao ano, o Estado roduz 700 milhões de litros. Os dados foram apresentadosaos produtores de São José dos Quatro Marcos, anteontem, durante a Famato em Campo Leite, o 1º dia de campo voltado para a cadeia leiteira, o qual foiacompanhado pela reportagem.

O evento ocorreu na fazenda Irmãos Santos. De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (Aproleite), Alessandro Casado, existe uma grande desorganização do setor no Estado, o que impede o desenvolvimento da cadeia leiteira. “O produtor de leite é individualista. Se houvesse organização e assistência técnica a todos chegaríamos em no máximo trêsanos ao patamar de 5º maiorprodutor”. Casado comenta que em 2011 81% dos produtores do Estado não tiveram assistência técnica.

Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, o objetivo dos dias de campo é unir a categoria, além de levar conhecimento e trocar informações. “Os produtores de leite de alguma forma são dispersos uns dos outros. É preciso mais organização e união para fora da porteira para que se possa lutar pelos objetivos, em especial o preço do leite que em Mato Grosso oscila, enquanto em São Paulo é em linha crescente”.

GASTOS

Prado e Casado comentam que a maioria dos produtores não sabe o quanto gasta para
produzir um litro de leite. Os irmãos Luiz Carlos, José Carlos e Ângelo Carlos Santos abriram em 1981 a Fazenda Irmãos Santos, em São José dos Quatro Marcos, e inicialmente trabalhavam com arroz, feijão e milho.

Há 10 anos, José revela, migraram para a cadeia do leite. “Tínhamos na época 15 vacas em lactação que nos davam de 70 a 80 litros/dia. Hoje são 90 vacas em ordenha e a produção é de 1,1 mil litros/dia com duas ordenhas. Conseguimos atingir isso com melhoria de genética e alimentação adequada”. A migração de atividade deveu-se à saca do milho em 2002 custar em média R$ 5.

Apesar dos investimentos e resultados, Luiz revela que não sabe o quanto gastam para produzir um litro de leite. “Estamosbuscando nos qualificar para saber o quanto gastamos e se os R$ 0,76 que recebemos do laticínio da cidade é remunerador ou não. Criamos gado de corte também e não diferenciamos os ganhos com cada”.

Casado comenta que um painel de custos foi realizado em parceria com a Confederação da (CNA) e verificou-se que para o produtor ter retorno de seus gastos e condições de investimentos, seria necessário que este recebesse R$ 0,81 por litro no Estado e não a média de R$ 0,67. “O que se ganha hoje só dá para se manter”, frisa.

Prado comenta que será feito em cima do diagnóstico feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), uma política pública da cadeia do leite para ser apresentada ao governo do Estado.

De acordo a pesquisadora da Embrapa Sinop, Roberta Carvanelli, que palestrou no evento, se houver planejamento adequado e os produtores cuidarem do animal e da pastagem, 80% dos problemas do setor são resolvidos. “Se deixar a vaca no sol, por exemplo, ela produz 20% menos leite e se não cuidar amastite cai 25% a produção. Os cuidados mais simples não só ajudam a aumentar a produção, mas também a qualidade”, comenta, informando que técnicos estão em formação para auxiliar os produtores.

(*) A repórter viajou a convite da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).

1 de janeiro de 2012

PECUÁRIA - 2012

Embargo será o 1º obstáculo

Especialistas projetam que veto da Rússia à carne de MT pode chegar ao fim ainda em janeiro

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado (matéria publicada no dia 29 de dezembro de 2011)


O embargo da Rússia à carne bovina de Mato Grosso será o primeiro problema do setor a ser solucionado em 2012. A expectativa é que o governo daquele país coloque fim ao veto já no mês de janeiro. Porém, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) ainda cita como obstáculos à pecuária no ano que vem, a crise econômica que assola a Europa e a
instabilidade política de mercados importadores do produto mato-grossense como a Venezuela e o Irã.

Esse cenário, somado ao alto custo de produção, já vem afetando a pecuária regional desde o fim do primeiro semestre de 2011. O setor só não fechará o ano no vermelho devido a força do mercado interno, que manteve em alta as vendas de carne.

Os dados de abates comprovam isso. De janeiro a setembro 3,326 milhões de cabeças de bovinos foram abatidas em Mato Grosso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como revelam suas pesquisas trimestrais de abates, um aumento de 5,9%
em relação ao período em 2010 quando 3,138 milhões de bovinos foram para o abate.

O fato fez com que Mato Grosso permanecesse líder na modalidade pelo 6° ano consecutivo no Brasil, e elevasse sua participação no país em 16,8%. Levantamento do Imea mostra que os bovinos abatidos somaram 4,022 milhões até outubro.

Mas apesar do bom resultado, o setor lidou com o veto russo desde o dia 15 de junho. Dos 22 frigoríficos proibidos de enviar carne, 17 são de bovinos. O setor ainda encerra 2011 com uma
retração de 10% no preço da arroba, sendo cotada em média a R$ 88 hoje, enquanto nos supermercados ao longo do ano alguns cortes sofreram reajuste de 40%, levando o consumidor a desembolsar mais.

Segundo o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, abateu-se mais animais no período de entressafra, que compreende de julho a setembro. Tais animais eram de confinamentos e semiconfinamentos, suas alternativas encontradas pelos pecuaristas nas épocas de seca para que o bovino não perca peso, entre outros.

“A tendência é termos menos oferta de animais para abate na safra e maior oferta na entressafra devido aos confinamentos e semiconfinamentos. É positivo o uso deles, pois utiliza-se mais tecnologia e abate-se mais cedo. Mato Grosso tem condições para liderar, também, neste setor pecuário”, comentou Vacari em recente entrevista à Folha do Estado.

CONFINAMENTO

Dados do Imea revelam que das 4,5 milhões de cabeças de gado abatidas por ano em Mato Grosso 17% são de confinamentos.

Conforme o último boletim semanal de bovinos do Imea, divulgado em 16 de dezembro, “o ano de 2011 foi mais um dos anos em que a cadeia pecuária de corte foi “salva” pelo apetite do consumidor do mercado interno, sendo este sustentado em grande parte pelo aumento de renda por parte das classes C e D, mantendo firme a demanda pela proteína animal”.

SUINOCULTURA

Custo de produção travou setor

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado (matéria publicada no dia 29 de dezembro de 2011)


Embargo a frigoríficos brasileiros que comercializavam com a Rússia respingou também nas exportações de aves e suínos em 2011. A suinocultura foi a que mais sofreu com esse problema no ano que chega ao fim. Além de ter três frigoríficos impedidos pela Rússia de exportar ao país, o setor sofreu com os preços pagos pelo quilo dos suíno vivo inferior ao custo de produção. Mudar essa realidade será o desafio de 2012, tendo como o alvo a redução de tributos que incidem sobre a atividade.

Neste ano, enquanto o custo de produção por quilo de suíno chegou a R$ 2,15, o preço pago pelo frigorífico não passou de R$ 1,85. Essa diferença gerou perdas de até R$ 700 mil a alguns suinocultores. Segundo o diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, o setor encerra 2011 com um custo de produção entre R$ 1,80 e R$ 2 por quilo. Já os frigoríficos pagando R$ 2,45 por quilo de animal vivo. “Chegou-se durante o ano a ter prejuízo de R$ 0,50 por quilo de animal vivo devido a esta diferença. O que pesou na produção foi o milho, a soja e a tributação”.

Em fevereiro a Acrismat solicitou ao governo de Mato Grosso a isenção do ICMS na venda de suínos por 120 dias, contudo o pedido não foi acatado. “As expectativas no início de 2011 eram das melhores, mas tivemos problemas de preço. Entre agosto e setembro melhorou, mas ainda aquém de 2010. O mercado está consistente apesar de tudo, não sobra e nem faltam animais”, diz Rodrigues.

Levantamento do IBGE sobre abates mostra um aumento de 5,23% nos abates de suínos de janeiro a setembro deste ano para o período de 2010, um salto de 1,451 milhão de animais para 1,527 milhão.

Custódio salienta que entre julho e setembro a indústriacomeça a comprar mais animais para fazer seus estoques para o final de ano. “Além disso, o consumo interno aumentou e apesar do embargo da Rússia, novos mercados se abriram para a carne mato-grossense, como os países da Ásia. Para 2012 nosso desafio é continuar brigando pela redução da tributação e impostos, pois, caso isso não ocorra, a produção de suínos pode diminuir, porque o custo de produção é maior que o valor da venda”, diz Custódio.

AVES

O setor da avicultura teve como vilão o embargo russo e a crise financeira da Europa, além dos altos preços das commodities, visto que 60% da ração usada na alimentação animal é milho e 30% soja.

“Só não tivemos problemas maiores devido às exportações para outros países, porque os contratos são em dólar e a moeda esteve em alta de setembro para cá. Nossos maiores desafios de 2011 foram o embargo da Rússia e o alto custo de produção. Para 2012 esperamos aumento de 10% a 20% nas exportações, pois já temos contratos de vendas fechados para 2012”, comenta o presidente da Associação Mato-grossense de Avicultura (Amav), Tarcísio Schroeter.

De janeiro a setembro, 14,7% a mais de frangosforam abatidos no Estado ante o período em 2010, salto de 137,9 milhões de frangos para 158,3 milhões, segundo o IBGE.

EXPORTAÇÕES 2011

Complexo da carne foi o alvo

Embargo da Rússia colocou a cadeia no foco das discussões, porém setor conseguiu faturar mais

Viviane Petroli
Jornal Folha do Estado (matéria publicada no dia 28 de dezembro de 2011)


Mato Grosso deve finalizar o ano (2011) com uma arrecadação nas exportações de US$ 11 bilhões aproximadamente, ocupando o 8° lugar no ranking nacional e representando uma fatia de 34,02% do superávit nacional. Na região Centro-Oeste, 53% do envio ao exterior é de Mato Grosso. Apesar da soja ser o carro chefe dos embarques matogrossenses, os olhos se voltaram para o complexo da carne este ano devido ao embargo russo, iniciado em junho. A proibição ao produto brasileiro, de forma geral, acabou não deixando um rastro tão ruim como se esperava. Em relação a 2010, o Estado exportou 21,1% a mais entre janeiro e novembro de carnes, um salto de US$ 1,019 bilhão para US$ 1,233 bilhão.

O setor possui 12,02% de representatividade das saídas do Estado. Apesar dos bons números, a saída de carne suína teve queda de 48,2% nas exportações, em decorrência ao embargo russo e crise financeira na Europa, enquanto a de aves subiu 46,7%. Setores revelam buscar novos mercados para elevar as vendas.

As informações são da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme-MT), que mostram nas exportações de suínos apenas US$ 34,859 milhões foram exportados de janeiro a novembro de 2011, enquanto em 2010 no período foram US$ 67,284 milhões.

De acordo com o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de MatoGrosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, neste final de ano novos mercados abriram suas portas para a carne suína matogrossense, mas a recuperação deve ocorrer em 2012.

“Hong Kong, China, Taiwan, Venezuela e a África do Sul conseguimos fazer com que abrissem suas portas para nós. O embargo russo nos prejudicou muito, pois mais de 40% da carne suína brasileira vai para o país”. No quesito toneladas, o envio teve retração de 47% ante 2010, apenas 12,674 mil toneladas foram exportadas.


FATURAMENTO

Conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), apesar do volume das exportações de carne bovina ter recuado 13,6% entre janeiro e novembro deste ano em relação a 2010, enviando apenas 177,9mil toneladas, o faturamento ampliou 14,9%, saltando de US$ 682 milhões em 2010 no período para US$ 722,9 milhões em 2011. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o fato deve-se à valorização da carne no mercado internacional, que levou a média do produto embarcado passar de US$ 3.103/tonelada em 2010 para US$ 4.064.

“A valorização do dólar, a partir do mês de outubro, favoreceu uma recuperação das exportações no período final do ano, porém, ainda insuficientes para uma recuperação do volume de 2011”, diz o Imea.

As exportações de aves, por sua vez, apresentaram crescimento de 46,7% no faturamento, saltando de US$273,7 milhões para US$ 401,4 milhões. Já o volume enviado aumentou 24,5%, passando de 157,7 mil toneladas para 196,3 mil/toneladas, segundo a Sicme-MT. “Não tivemos os mesmos problemas do setor suíno, pois tínhamos outros clientes, como os da Ásia. Além disso, a valorizaçãodo dólar ajudou. Para 2012 esperamos aumento de10% a 20% nas exportações.”, comenta o presidente da Associação Mato-grossense de Avicultura (Amav), Tarcísio Schroeter.

21 de dezembro de 2011

DICA

Com dificuldades com os números??? Porcentagem???? Só de ouvir falar em matemática a dor de cabeça começa, não é mesmo???

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Blog by Gustavo Petroli



20 de novembro de 2011

DÁ MELHOR QUALIDADE

Para uma boa parceria é preciso indetificar-se musicalmente, diz Buchecha


Cantor regravará “Quero te encontrar”, sucesso que fez com Claudinho, com a dupla mato-grossense Anselmo e Rafael


Viviane Petroli
Blog Fala Sério Mix. Foto: Viviane Petroli



A mistura de gêneros musicais, através das parcerias entre cantores, duplas e grupos, cresce a cada dia. Tais parcerias vêm ocorrendo há décadas, tanto no Brasil como no mundo ou até mesmo entre países. Na década de 1990, por exemplo, pode-se ver Chitãozinho e Xóroro com Bee Gees, mais tarde Alexandre Pires com Glória Stefan, no Brasil mesmo Ivete Sangalo com Luan Santana e até mesmo a mistura de seu axé com o funk de Buchecha.

Completando 15 anos de carreira e com o primeiro DVD, a ser lançado em 2012 em comemoração ao debute, o cantor e compositor Buchecha comenta gostar de fazer parcerias e misturar os ritmos, principalmente com aqueles que se identifica musicalmente.

Em Cuiabá, no dia 18 de novembro para uma apresentação, Buchecha revelou ao Fala Sério Mix* que a sua mais nova parceria musical é com a dupla sertaneja mato-grossense Anselmo e Rafael, no qual juntos regravarão o grande sucesso de Claudinho e Buchecha “Quero te encontrar”.

“Iremos regravar ‘Quero te encontrar’. Gosto muito do trabalho do Anselmo e Rafael. Eles estão fazendo um sucesso danado no Rio de Janeiro e é uma parceria que estou louco para fazer. Acho bacana fazer parcerias e misturar ritmos”, comentou Buchecha.

Buchecha comenta ainda que acha “legal em cada local, Estado, você ter colegas com que possa gravar e que você se identifique musicalmente, pois a boa parceria surge daí”. “Tenho grandes amigos e parceiros na música. Não apenas gravamos juntos, como trocamos músicas, ou seja, eles gravam músicas minhas e eu deles. Foi assim com Ivete Sangalo, Lulu Santos, Adriana Calcanhoto e Latino, por exemplo”, salienta.

Para 2012 o cantor, além do DVD em comemoração aos 15 anos de carreira com os maiores sucessos de Claudinho e Buchecha, promete muitas novidades para os fãs. “Mas ainda não posso revelar”, brinca.



*Entrevista concedida ao blog Fala Sério Mix no dia 18 de novembro de 2011, após participação do cantor no programa Caximbocó, na rádio Cidade FM 94,3