20 de junho de 2008

ALEXANDRE REYES

Família realiza ato contra violência

Parentes de jovem cuiabano vítima de assassinato no trânsito em São Paulo, organizam um ato de repúdio, na Capital, dia 23

VIVIANE PETROLI
Especial para o Jornal Circuito Mato Grosso

Na próxima segunda-feira, 23, a família do jovem Alexandre Andrade Reyes, 18 anos, assassinado em mais uma selvageria no trânsito brasileiro, estará realizando um Ato em Repúdio a Mortes Violentas que ocorrem diariamente no Brasil. O ato será em Cuiabá, onde mora o pai do jovem, Heitor Geraldo Reyes, às 18h, na Praça Santos Dumont.


Heitor conta que nunca imaginou que algo deste tipo fosse acontecer com ele e sua família. Por cobrança da sociedade em fazer algo, que sempre lhe perguntavam se ia deixar passar em branco e também por ver o desespero das famílias que passaram pela mesma situação, decidiu realizar este Ato de Repúdio.

“O ato conta com o apoio da Associação dos Familiares de Vítimas de Violência (AFVV). Nessa associação há famílias que há 12 anos estão esperando por um resultado da Justiça e até hoje nada”, conta Heitor. Ele diz ainda que participam deste Ato o Detran, Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Assembléia Legislativa, Câmara Municipal de Cuiabá, Igreja Católica e Protestante, entidades de classe, autoridades Militares e Civil, imprensa e população.

Em sua primeira reunião na AFVV, Heitor conta que ficou sabendo que em Cuiabá e Várzea Grande acontecem 30 mortes violentas por mês, o equivalente a um assassinato por dia. “Pretendo realizar mais atos como este, pois a sociedade comum não pode ficar calada e também para que todos se lembrem que são seres humanos”, diz Heitor. Ele comenta ainda que recebeu uma ligação de uma professora dizendo que levará toda sua turma de alunos para participarem do Ato.

Heitor diz que hoje em dia é mais fácil adquirir uma arma do que um aparelho de telefone celular. “A sociedade tem que discutir se quer passar a vida presa em casa por conta do que estamos vendo acontecer hoje. Parece estar tudo a favor das pessoas ruins. A polícia deve ser nossa amiga e não inimiga como estamos vendo”, critica Heitor.

Para este Ato de Repúdio a Mortes Violentas no Brasil, Heitor mandou fazer adesivos para distribuir durante o protesto. Eles poderão ser colados nos carros com o intuito de que outras pessoas tomem consciência de que, no trânsito, deve-se ter mais calma (tolerância), assim como em outros momentos. “Hoje as pessoas estão estressadas no trânsito, elas não dirigem e sim correm”.

Além do ato de repúdio, Heitor e sua família apóiam também o Show pela Paz que será realizado no próximo dia 21 de junho, às 19h30min, no Ginásio Aecin Tocantins, no bairro Verdão, que também tem como tema principal a violência.

Relembre o caso Reyes
No dia 23 de maio deste ano, o jovem Alexandre de Andrade Reyes veio a falecer após levar um tiro na nuca, na Avenida Armando de Arruda Pereira, bairro Jabaquara, Zona Sul de São Paulo (SP). Acompanhado de amigos, o jovem voltava da casa de outra amiga que havia tido bebê, quando o amigo, que dirigia o carro em que estavam, freiou bruscamente ao passar por um quebra-molas colidindo, assim, com o veículo da frente.

Irritado, o condutor do veículo Montana, que estava na frente do carro em que Alexandre se encontrava, parou seu carro e desceu armado e começou a discutir com um colega de Alexandre .

O condutor do veículo Montana, após agredir o amigo de Alexandre, disparou um tiro que atingiu o jovem por engano. O autor do disparo alegou, em depoimento, não ter atirado para matar e, sim, para dispersar os jovens de perto dele e que foram os próprios jovens que chegaram agredindo-o após a colisão dos carros.

Alexandre que havia completado 18 anos, no dia 07 de abril, morava com sua mãe, seu irmão de 20 anos e sua irmã de 16, em São Paulo. Cursava o 3º Ano do Ensino Médio, estava prestes a tirar a sua carteira de motorista e pretendia prestar vestibular no fim do ano para Engenharia Elétrica ou Mecânica. Além disso, Alexandre fazia estágio em uma firma de brindes e estava para ser contratado.

Um comentário:

Sylvana disse...

O duro é o assassino estar livre, e o alexandre há sete palmo.
Que país é esse sem justiça????