3 de novembro de 2008

NAMORO

Amor cibernético: ilusão ou desilusão?

Com a chegada da Internet e com ela os chats, salas de bate-papo, MSN e ORKUT, chegam as relações virtuais

VIVIANE PETROLI
Especial para o Jornal Circuito Mato Grosso

Ela tem 23 anos, ele 24. Ela mora em Várzea Grande (MT), ele em Belo Horizonte (MG). Eles nunca se viram e o tempo de relacionamento já alcança a marca de quase cinco meses. Ela o conhece através de fotos no Orkut e pelo sistema de mensagens instantâneas (MSN), já ele nunca viu seu rosto. Segundo a jovem que não quis ter seu nome revelado, pelo fato de que somente sua mãe e seu irmão sabem deste relacionamento, até o momento não mostrou sua foto para o rapaz saber como ela é, por receio, bem como não revelou seu nome verdadeiro.


“Uso um pseudônimo, pois nunca tive um relacionamento assim. Conhecemo-nos através de um Chat de uma rádio, ao qual meu irmão fazia parte. Aos poucos fui interagindo neste Chat, conhecendo as pessoas e ele. Todos lá me conhecem por este pseudônimo. Sei que um dia ele vai poder acabar descobrindo que menti meu nome, mas terei boas razões para lhe explicar o porquê”, diz a jovem que tomou esta decisão pelo fato de saber como é o universo na Internet.

A jovem ainda conta que está sendo uma experiência boa para ela. Afirma que, através do namoro virtual, pode sentir aquilo que não conseguia sentir com nenhum de seus namorados. Segundo ela, recebe mais atenção, mais carinho, companheirismo e, principalmente, se sente amada, mesmo que o rapaz não saiba seu verdadeiro nome e nem saiba como ela é fisicamente.
Assim como a jovem, muitas outras pessoas procuram na Internet, alguém que as complete.

Outro exemplo, que pode ser citado, é que não existe idade para começar a se ter um relacionamento na Internet. Maria Dulce de Oliveira, 40 anos, está se sentindo nas nuvens, pois em seus relacionamentos anteriores sofrera desilusões. “Namoro, sim, na Internet e não tenho vergonha de dizer. Pelos menos estou me sentindo amada e encontrei alguém que gosta das mesmas coisas que eu. Estamos há um mês juntos e todos da minha família sabem e ninguém diz nada, porque todos acham legal e gostam de me ver feliz e também gostam dele”, conta. Maria Dulce, que conhece o namorado pela Internet, mas neste caso, um sabe o nome verdadeiro do outro e, segundo ela, não há receios em falar a verdade. Os dois ainda não se conhecem pessoalmente e nem sabem se é o caso de se conhecerem, pois se ela quer mesmo um namorado, ela encontra em sua cidade. “Na real, ele e eu nos damos muito bem e é muito cedo para se falar em se encontrar. Se for o caso, mais tarde, ai, sim, só o tempo poderá dizer. Acho legal que seja assim”, diz Maria Dulce que conversa com seu namorado virtual todos os dias, através dos programas de mensagem instantânea.


Para Maria Dulce a experiência está sendo muito legal, diferente e até engraçada, pois até ciúmes um do outro sentem. “A gente tem ciúmes um do outro. Mas esse tipo de relacionamento tem seu lado ruim. Não tem beijo na boca, nem mãos dadas, romance ‘tete a tete’, portanto não tem tato, cheiro, os carinhos e entre outras coisas ao qual sinto falta, mesmo assim eu gosto”.

Maria Dulce garante que fazem muitas atividades juntos, por mais que falem somente pela Internet. Ela conta que pensam juntos, que falam sobre suas orquídeas, uma vez que ambos cultivam as flores e de outras plantinhas, que gostam de trocar figurinha direto sobre isso. “Fico feliz quando ele me conta que suas plantinhas brotaram em pleno inverno. Nosso relacionamento é muito engraçado. Começou assim, ele me observou por muitos dias no Chat ao qual participamos e acabou me procurando para me adicionar no MSN. Depois conversamos muito como amigos. As afinidades surgiram a ponto de trocarmos muitos trabalhos juntos, então passamos a ter mais afinidade, além das conversas terem ficado mais legais. Um dia ele me pediu em namoro. No início, achei estranho, mas topei porque nunca tinha tido uma experiência dessas e estávamos nos falando todos os dias, na hora do almoço e à noite quando ele chega do trabalho. Não sei no que vai dar, mas só sei que enquanto estiver bom, estarei com ele, mas se começar a pressionar, eu desligo ele dos meus contatos e pronto”, explica Maria Dulce. Ela ainda diz que a diferença de se namorar pela Internet e ao vivo e a cores, é que no mundo cibernético que as pessoas se escondem por medo de tudo.

Apesar do suprimento de carinho, o levantamento de auto-estima da pessoa, entre outras coisas, o namoro pela Internet, às vezes, pode não trazer tanta sorte para a pessoa e fazê-la se arriscar.

Recentemente, uma jovem de 16 anos, em Portugal, fugiu de casa para se encontrar com o namorado de 18 anos que havia conhecido pela Internet. A jovem portuguesa saiu de madrugada, sem que os familiares percebessem, segundo o jornal IOL Diário em Portugal, mas ao chegar no local combinado deparou-se com uma armadilha preparada pelo namorado virtual e pelo dono de um ‘cyber’ café, de 33 anos, onde os dois a obrigaram a ter relações sexuais com eles.

Perigo iminente
Mas a pergunta é: namoro pela Internet é realmente perigoso, uma vez que há casos onde os relacionamentos acabaram dando certo fora da Internet? Para a psicóloga Maria da Consolação Pereira Domingues, o namoro pela Internet depende da pessoa, além de ser uma saída para pessoas mais retraídas e para aquelas que hoje já se encontram na casa dos 40-50 anos, até por ser uma experiência interessante entrar em sites de relacionamento.


“Para pessoas que não têm paciência para sair à noite, também é uma saída procurar estes sites. Tem pacientes que chegaram a falar que encontraram homens que só queriam saber de sexo e que também encontraram homens que queriam algo mais sério e concreto. Tem pessoas que se inscrevem nestes sites para namorar mesmo, outras por causa do sexo e, geralmente, estes são os casados e também para sair apenas uma vez”, diz Maria.

Conforme a psicóloga, esta é uma forma mais fácil que as pessoas encontraram para se relacionar com outras, principalmente para aquelas que chegam cansadas do trabalho à noite e não têm dinheiro para gastar com ida a barzinhos entre outros lugares. “A Internet você faz pagamento mensal e usa quantas vezes quiser. Os sites de namoro, alguns, também você paga uma taxa mensal que não é cara. Hoje você sai numa única noite para ir a um barzinho e gasta mais do que a Internet e a taxa do site juntos”, conta.

Com relação ao lado perigoso deste tipo de relacionamento, a psicóloga disse que este existe, sim e que muitas vezes podem machucar com desilusão. A psicóloga afirma que os pontos negativos deste tipo de relacionamento são os riscos de se expor, de se relacionar com a pessoa e ao conhecê-la, pessoalmente, percebe que esta é o oposto do que era na Internet e tem a questão da pedofilia também.

“A Internet é um prato cheio para psicopatas, apesar de ela ter seus lados bons. Até na Internet pode ocorrer a ilusão e a desilusão. Com relação à perversidade ao vivo e a cores, é mais fácil de se identificar, já que na Internet a pessoa não tem como saber, mas há caso que não existe isso, em que a pessoa que está do outro lado é realmente como na Internet. Tem gente que chega a usar outro nome e não fala a verdade sobre si com medo de se expor também”, explica.

Lan House é uma das saídas para aqueles que não têm Internet em casa
Para aquelas pessoas que não possuem Internet em casa ou viajam constantemente, como motoristas de ônibus, caminhões ou que viajam a negócios, acabam sempre procurando uma Lan House para estar se comunicando com amigos e familiares.


De acordo com Agnaldo Silva Almeida, funcionário de uma Lan House, em Cuiabá, existe sim pessoas que procuram a Lan House para conversar com namorados virtuais ou entrar em sites de relacionamento. “As pessoas não veem até as Lan Houses só para abrir e-mail, conversar no MSN, para trabalhar, veem para várias coisas e uma delas é namorar também, pois têm pessoas que são casadas, mas estão longe uma das outras por conta de trabalho e então conversam através da Internet. Há casos que já vi acontecer de chegar a dar em casamento o relacionamento que começou pela Internet e hoje têm até filhos”, conta Agnaldo.
Agnaldo ainda diz que a Internet pode tanto juntar e ajudar casais, como também acabar com os relacionamentos e, um exemplo disto, é o site de relacionamento Orkut, onde já pode ouvir vários casos de rompimento, causados por ciúmes.

Um comentário:

Pedro disse...

Já vir casos parecido com final feliz, atécom mais tempo de namoro.
Queria muito saber o final desse relacionamento, isso se e quando acontece. vou ficar na torcida, dezejando felicidades pro casal.
Abraços Viviane...
Sucesso e cuidado...
Fica com Deus...